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Como escrever um currículo em inglês: guia completo para lusófonos

Bilingual professional reviewing an English-language resume

Escrever um currículo em inglês vai muito além de traduzir seu CV brasileiro ou português. As convenções são radicalmente diferentes: estrutura, conteúdo, nível de detalhe pessoal — tudo muda. Um currículo perfeito para o mercado brasileiro pode parecer inadequado para um recrutador em Londres, Toronto ou Sydney.

Este guia acompanha você em cada etapa da criação de um currículo em inglês profissional, com atenção especial aos erros que lusófonos costumam cometer.

CV ou Resume — qual você precisa?

Esses termos não são sinônimos, embora muita gente os use assim:

Resume (EUA, Canadá): Documento de 1 a 2 páginas focado em experiência relevante e resultados concretos. Sem foto, sem dados pessoais além das informações de contato. É o formato padrão para praticamente todas as vagas não acadêmicas na América do Norte.

CV (Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia): Geralmente duas páginas. Similar ao Resume, porém um pouco mais detalhado. No inglês britânico, “CV” é o termo padrão para qualquer documento de candidatura — diferente dos EUA, onde “CV” é reservado para o meio acadêmico.

CV acadêmico (internacional): Pode ser bem mais longo. Inclui publicações, pesquisa, conferências e experiência docente.

Para detalhes sobre o formato americano, veja nosso guia do currículo americano.

O que eliminar do seu currículo brasileiro/português

O erro mais comum: transferir diretamente o conteúdo do seu CV em português. Esses elementos não pertencem a um currículo em inglês:

  • Foto — Não é esperada nos EUA, Reino Unido ou Austrália. Algumas empresas descartam candidaturas com foto para evitar riscos de discriminação
  • Data de nascimento / Idade — Informação protegida por lei na maioria dos países anglófonos
  • Estado civil — “Solteiro(a)”, “Casado(a)” — ninguém quer saber
  • CPF / NIF — Nunca
  • Nome dos pais — Comum em documentos brasileiros, não tem lugar num CV em inglês
  • Endereço completo — Cidade e país são suficientes
  • Referências ao regime CLT/PJ — Conceitos exclusivamente brasileiros sem equivalente direto

A lógica é simples: países anglófonos têm leis anti-discriminação rigorosas. Qualquer informação que revele idade, origem, religião ou situação familiar cria risco jurídico para o empregador.

Estrutura de um currículo em inglês — seção por seção

1. Cabeçalho (dados de contato)

Nome, e-mail, telefone (com código internacional) e URL do LinkedIn. Opcionalmente, cidade e país. Sem título de cortesia (Sr., Sra.), sem título profissional antes do nome.

2. Professional Summary (resumo profissional)

Duas a três frases que sintetizem sua proposta de valor. Esqueça fórmulas genéricas como “profissional dinâmico e proativo” — seja específico e traga números.

Exemplo: “Software engineer with 5 years of experience building fintech platforms in Brazil. Led migration of a monolithic application to microservices, reducing deployment time by 70%.“

3. Work Experience (experiência profissional)

A seção mais importante. Ordem cronológica inversa com título do cargo, empresa, localização e datas. Sob cada posição, 3 a 5 pontos com conquistas concretas — não uma lista de atribuições.

Comece cada ponto com um Action Verb (verbo de ação) e quantifique seus resultados.

Nota importante para brasileiros: não mencione CLT ou PJ. Simplesmente liste a experiência. Se foi freelancer ou consultor, use “Freelance” ou “Contract”.

4. Education (formação)

Seja breve. Diploma, instituição, ano de conclusão. Nada de ensino fundamental ou médio (a menos que seja recém-formado). Explique títulos lusófonos com o equivalente em inglês:

  • “Bachelor’s degree in Computer Science (Bacharelado em Ciência da Computação, USP)”
  • “Master’s degree in Business Administration (Mestrado em Administração, FGV)”
  • “Bachelor of Laws (Licenciatura em Direito, Universidade de Lisboa)“

5. Skills (competências)

Habilidades técnicas, ferramentas e idiomas com nível. Use o QECR: “Portuguese (native), English (C1), Spanish (B2).” Não liste soft skills aqui — demonstre-as nos pontos de experiência.

6. Seções opcionais

Certificações, voluntariado, publicações — apenas se relevantes para a vaga.

Erros de tradução: português → inglês

Mesmo lusófonos fluentes em inglês caem nessas armadilhas:

PortuguêsErro comumTradução correta
Bacharelado”Bachelor” (sem contexto)“Bachelor’s degree in [área]“
Pós-graduação (lato sensu)“Post-graduation""Postgraduate certificate/diploma” ou “Specialization”
Estágio”Stage""Internship”
Empresa de grande porte”Big port company""Large enterprise” ou “Fortune 500 company”
Carteira assinada (CLT)“Signed portfolio""Full-time employee”
Autônomo (PJ)“Autonomous""Freelance” ou “Independent contractor”
Formando”Forming""Expected graduation: [data]“
Concurso público”Public contest""Civil service examination”

Falsos amigos clássicos:

  • “Pretender” ≠ “to pretend” (pretender = “to intend”; to pretend = fingir)
  • “Atual” ≠ “actual” (atual = “current”; actual = real, verdadeiro)
  • “Assistir” ≠ “to assist” (assistir = “to watch/attend”; to assist = ajudar)
  • “Notícia” ≠ “notice” (notícia = “news”; notice = aviso)
  • “Parente” ≠ “parent” (parente = “relative”; parent = pai/mãe)

Action Verbs — o motor de um currículo em inglês

Currículos em inglês se constroem sobre verbos de ação fortes no início de cada ponto. Nunca escreva “Was responsible for” ou “Duties included”.

Para liderança: Led, Directed, Managed, Oversaw, Spearheaded, Coordinated

Para resultados mensuráveis: Increased, Reduced, Generated, Achieved, Delivered, Improved

Para projetos: Developed, Implemented, Launched, Designed, Established, Built

Para funções analíticas: Analyzed, Evaluated, Identified, Optimized, Researched, Assessed

Para colaboração: Partnered, Facilitated, Negotiated, Mentored, Collaborated

Use passado (Past Tense) para posições anteriores, presente apenas para sua posição atual.

Otimização ATS: seu currículo é lido primeiro por um software

Mais de 90% das grandes empresas anglófonas usam um Applicant Tracking System (ATS). Esse software filtra e classifica candidaturas antes que um humano as veja. Se seu currículo não é compatível com ATS, pode nunca chegar a um recrutador.

Para tornar seu currículo em inglês compatível com ATS:

  • Use um layout de coluna única — sem tabelas, caixas de texto ou gráficos
  • Mantenha cabeçalhos padrão: “Work Experience”, “Education”, “Skills”
  • Reproduza as palavras-chave da vaga
  • Salve como PDF ou .docx (conforme as instruções)
  • Não coloque informações críticas em cabeçalhos/rodapés

Ferramentas como ResuFit analisam automaticamente seu currículo para compatibilidade ATS e o adaptam a cada vaga.

Diferenças por país: EUA, Reino Unido e Austrália

Estados Unidos:

  • Chama-se “Resume” (não “CV” exceto no meio acadêmico)
  • Estritamente 1 a 2 páginas
  • Sem foto, data de nascimento ou estado civil
  • Inclua GPA se tiver menos de 3 anos de experiência
  • Ortografia: “organize”, “analyze”, “color”

Reino Unido:

  • Chama-se “CV”
  • Duas páginas padrão
  • Sem foto
  • A-Levels e GCSEs como referência educacional
  • Ortografia: “organise”, “analyse”, “colour”

Austrália:

  • Chama-se “CV” ou “Resume” (ambos aceitos)
  • Duas a três páginas aceitáveis
  • Sem foto
  • Ortografia britânica

Adapte a ortografia ao país-alvo. Um currículo com ortografia americana enviado ao Reino Unido (ou vice-versa) revela falta de atenção aos detalhes. Veja também nosso guia sobre sinais de alerta que recrutadores percebem imediatamente.

Checklist antes de enviar

  • Sem foto, data de nascimento ou estado civil
  • Formato correto (Resume para EUA, CV para Reino Unido)
  • Action Verbs no início de cada ponto
  • Resultados quantificados (números, porcentagens, valores)
  • Diplomas lusófonos explicados com equivalente em inglês
  • Ortografia correta para o país-alvo (US vs. UK English)
  • Formato ATS sem gráficos ou tabelas
  • Revisado por nativo ou ferramenta profissional

Um currículo em inglês profissional é seu passaporte para o mercado internacional. Dedique tempo para fazê-lo corretamente — ou deixe o ResuFit adaptar automaticamente seu currículo a vagas em inglês. E não esqueça: sua carta de apresentação também precisa estar impecável.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre CV e Resume?

O Resume é um documento conciso de 1-2 páginas usado nos EUA e Canadá. O CV é mais detalhado, usado no Reino Unido e no meio acadêmico. Nos EUA, 'CV' refere-se apenas a currículos acadêmicos.

Devo incluir foto no currículo em inglês?

Não. Fotos não são esperadas nos EUA, Reino Unido, Canadá ou Austrália. Podem até causar a rejeição da sua candidatura devido às leis anti-discriminação.

Como traduzo meu diploma universitário para o inglês?

Use o equivalente mais próximo com contexto. Bacharelado vira 'Bachelor's degree', Mestrado vira 'Master's degree'. Nunca traduza literalmente — 'Bacharel' não é 'Bachelor' no sentido acadêmico anglófono.

Preciso mencionar CLT ou PJ no currículo em inglês?

Não. O sistema CLT/PJ é exclusivamente brasileiro e não tem equivalente direto no mundo anglófono. Simplesmente liste sua experiência como 'Full-time' ou 'Freelance/Contract'.

Devo mencionar minha nacionalidade no CV em inglês?

Não. Nacionalidade, data de nascimento, estado civil e religião não pertencem a um CV em inglês. Só mencione autorização de trabalho se a vaga pedir especificamente.

Qual o tamanho ideal de um currículo em inglês?

Para um Resume americano: uma página no início de carreira, máximo duas para profissionais experientes. Para um CV britânico: duas páginas é padrão. CVs acadêmicos podem ser mais longos.

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